Eu tenho saído pra algumas baladas e tenho ficado muito decepcionado com a noite de SP.
As baladas estão em sua maioria com uma falta de imaginação em matéria de música, ou falta de estrutura, ou simplesmente com um desrespeito pelo frequentador que chega a ser ofensivo.
Desde a mudança da lei de consumação e entrada, que obriga bares e danceterias a cobrar apenas uma das taxas, o preço pra dançar se transformou em uma extorsão. Os locais obviamente cobram a entrada e ela normalmente é impraticável. Locais cobram 50 reais para entrar e nem ficam com vergonha.
Se os locais oferecessem diversão e estrutura no mesmo patamar dos preços que cobram, ficaria tudo bem, mas é aí que a porca vai pro lodo.
Por exemplo, fui a uma festa anos 80 num local chamado Darta Jones esperando curtir a festa flash-house programada para a data. Fui submetido a uma tortura causada por seus dj’s, que no meio das músicas ficavam falando o nome da festa no microfone, querendo agitar a pista falando atrocidades e divulgando a próxima festa da casa. De uma cafonice sem tamanho, fora isso podemos comentar a falta de ventilação da casa, o que faz com que as pessoas sofram com a fumaça de cigarro e o calor, que nestes ultimos tempos tem castigado a cidade.
Outra coisa estranha é que em algumas outras baladas, o importante hoje em dia é fazer carão, mostrar estilo e só. Fui algumas vezes ao Astronete, casa alternativa numa travessa da Augusta, no qual pude constatar esse fato. A casa, em suas festas chamadas Discotexxx, aos sábados, toca um som que a mim desagrada pelo fato de ser poser, serve aos dj’s para mostrar como são profundos conhecedores de música e para alguns frequentadores poderem mostrar que são hypados e antenados. Não importa que uma parte das músicas não seja dançante e empolgante, importante é fazer carão. Claro que alguns podem dizer que isso é uma questão de gosto e pronto. Concordo, mas lembro de muitas vezes ir ao Matrix, não conhecer nenhuma música dos mais diferentes estilos e mesmo assim sair exausto de tanto dançar, pois os dj´s de lá, pelo menos até aquela época, se lembravam que estavam tocando músicas para pessoas, função essa que é a basica de qualquer dj.
Se formos ignorar a programação musical da casa e formos nos ater apenas à estrutura, ainda assim se sofre. Ir ao banheiro é um sofrimento devido à fila, movimentar-se dentro da casa requer paciência devido a lotação e até pagar a conta e ir embora é difícil, já que os espertos organizadores colocaram o caixa ao lado do bar, fazendo com que quem quer uma bebida e quem quer pagar se misturem e vire um inferno na terra. Mas conforto em balada hoje em dia não importa, o que importa é ser recomendado pela Erika Palomino, o resto que se dane.
Com o fechamento do casarão do Madame Satã, São Paulo perdeu um dos últimos lugares alternativos grandes.
Agora os organizadores da casa fazem a festa Madame Satã no Hotel Cambridge, local onde existem outros dois lugares fazendo festas diferentes. Da última vez que eu fui lá, o som dessas outras festas
vazava pra festa Madame Satã e simplesmente você não sabia mais em que balada você estava. Fora que na festa existe o dj Pé de Vento, que honrosamente merece o apelido de “Ed Wood dos dj’s”, pois ele é simplesmente o pior dj do mundo. Não acerta uma virada, faz com que as batidas das músicas se confundam, acerta o ponto da próxima música sem fones de ouvido, fazendo com que a pista toda ouça a música que vem a seguir. Fora a escolha duvidosa da combinação, fazendo com que uma hora estejamos ouvindo Front 242, seguido por Technotronic, depois The Cure e por aí vai. Tudo a ver.
Enfim, não conheço todas as baladas de SP, mas as que eu conheço tem trazido um bom desânimo. Danceterias gls tem normalmente uma senhora estrutura, mas um som que depois de uma hora cansa pois é só toim, zip, bloings e demais baticuns eletrônicos. Danceterias alternativas esquecem que alternativo deve ser o som, não a casa. Baladas 80’s deveriam começar a se reciclar, pois esse revival já deu o que tinha há tempos, e se querem continuar, que pelo menos lembrem que o Boy George compôs mais coisas que Karma Chamaleon, que a Madonna fez mais do que Like a Virgin e finalmente, todas as casas noturnas deveriam proibir que dj’s ineptos toquem We’re not gonna take it do Twisted Sister e Rock and Roll All Night do Kiss. Isso não se faz com as pessoas.

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