You are currently browsing the monthly archive for Abril, 2009.

lutador-poster02Mickey Rourke é um perdedor. Em sua vida. Depois de ser elevado à categoria de astro e galã de primeira grandeza nos anos 80, Rourke mergulhou sua vida em drogas, filmes de última categoria, boxe (o que deformou seu rosto) e plásticas que fizeram um desserviço ao que restava do rosto dele.
Eis um motivo que ajuda a entender porque O Lutador é o fenomenal filme que é. A história do lutador de luta-livre Randy “Carneiro” Robinson (Rourke) é parecida com a de seu intérprete. O que facilita o trabalho do ator, mas que ao mesmo tempo deve trazer uma série de feridas à alma.

Rourke pega o papel com os dentes e estraçalha em sua atuação. É o ator em busca da redenção, em busca do Olimpo novamente. E apesar disso, não há um mísero clichê no filme. Nada ali pode ser comparado a algum estilo ou cacoete de artista.

Dividido entre um passado de glórias e um futuro desastroso, o lutador tenta de alguma forma consertar sua vida de excessos, sua tristeza, seu abandono. É impossível não se emocionar no momento em que Randy chora na frente de sua filha tentando reconquistá-la.

Da mesma forma que “Encontros e Desencontros” fez com Bill Murray e “Brilho Eterno” fez com Jim Carrey, O Lutador eleva Mickey Rourke e o transforma em um ídolo alternativo, um outsider, um estrangeiro voltando a seu país. Trouxe-lhe respeito e redenção. O que Mickey Rourke fará com isso ninguém sabe. Mas o que ele fez pelos espectadores de O Lutador eu sei: fez valer cada real do ingresso pago. E nos deu vontade de aplaudir de pé ao fim do filme.

Sean Penn estava (como sempre) certo na entrega do Oscar, esse prêmio de melhor ator era do Rourke. Não tenha dúvida.